quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

ANEDOTAS

OSHO, sábio indiano



O pai estava na sala a contar histórias aos filhos depois do jantar.
- O meu bisavô combateu na guerra contra Rosas, o meu tio combateu na guerra contra o Kaiser, o meu avô combateu na guerra de Espanha contra os republicanos e o meu pai combateu na Segunda Guerra Mundial contra os alemães.
Ao que o filho mais pequeno respondeu:
- Mas qual é o problema desta família? Não se conseguem dar bem com ninguém!

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O pequeno Pierino vem da escola e chega a casa com um grande sorriso no rosto.
- Bem, querido, pareces muito contente. Gostaste da escola, não foi?
- Não sejas pateta, mãe - responde o rapaz. Não devemos confundir a ida com a vinda!
 
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Um novo sinal de trânsito foi posto à frente da escola. Dizia: "Conduza devagar. Não mate um aluno!"
No dia seguinte, havia um outro aviso por baixo, rabiscado numa letra infantil: "Espere pelo professor!"

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Um dia, num restaurante, entraram um leão e uma lebre. O gerente estava abismado; não podia acreditar nos seus olhos. Um grande silêncio invadiu o restaurante. Muitas pessoas estavam ali a comer, a falar, a coscuvilhar; todos ficaram absolutamente em silêncio. O que estava a acontecer? O gerente precipitou-se para os novos clientes. De alguma maneira, conseguiu gaguejar para a lebre:
- O que deseja, senhor?
A lebre pediu café e o gerente perguntou:
- E o que é que o seu amigo vai querer tomar?
A lebre riu-se e disse:
- Acha que se ele tivesse fome eu estava aqui? Ele não tem fome; de outra maneira tinha comido o pequeno-almoço e eu já tinha ido! Nós só podemos estar juntos quando ele não tem fome.


Moral da história: um leão não mata se não tiver fome. Só o homem mata sem razão nenhuma - por ideias estúpidas (Osho).

Obs: Anedotas extraídas do livro "INTELIGÊNCIA, a Resposta Criativa", de Osho, místico indiano. Editora Pergaminho









































quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A SOLUÇÃO YOUSSOU N'DOUR


O fora de prazo e de moda Presidente Abdoulaye Wade, 85 anos, candidato a um terceiro mandato, pode ver as suas contas complicadas devido à (mais que oportuna, digo eu) candidatura do melhor músico senegalês de sempre, Youssou N'Dour, à Presidência da República Senegalesa. O Rei de N'balack poderá beneficiar do seu magnetismo, da sua juventude (52 anos), cultura, do seu poder hipnótico, da sua fortuna para ganhar as Eleições Presidências de 26 de Fevereiro. Seja!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

NO TRIBUNAL

- Sr. juiz pera son n'contau mintida:
EL KI BEIJAM PRIMERO. 
Badjudas de Bissau kinti, doutor.
suma n'tarda mistil...
E neste ponto, Fodé Dabo pára por instantes, e, assobia alto:
- E bowanan de más, Dr. juiz.
djubi son se tadju,
se mama,
se bis,
oh, sr. juiz.
- Suma n'tarda mistil - manera kina falaba...
NTORNAL TAMBE
- Mas aqui não se dizem mentiras, indignou-se o juiz. O meritíssimo era daqueles doutores guineenses que não falam crioulo para não estragarem o seu português. Quantos guineenses dizem oleado em vez de saco plástico; azeite em lugar de óleo; guardanapo em vez de lenço de papel!

-POIS, SR. JUIZ, EL KU MANDA N'CONTAU BARDADE LOGO NA INÍCIO.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O SHOW NÃO PODE CONTINUAR

É Ansumane Mané que é abatido. É Veríssimo Correia Seabra que conhece o mesmo fim. É Tagme Na Wai escolhido, ao que parece, pelos "vencedores" para Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, perante a inexistência do Presidente da República Henrique Rosa. É Nino Vieira que regressa, à força e "em grande" à casa. É Tagme Na Wai morto. O Presidente Nino Vieira esquartejado. O candidato à Presidência da República Baciro Dabo e o deputado Helder Proença abatidos. O Presidente do Tribunal de Contas, Francisco Fadul, espancado. O Primeiro Ministro, Carlos Gomes Júnior, chama o Bubu Na Tchuto, no Fórum da RTP-África, de desertor e ameaça-o com a prisão  assim que abandonasse as intalações das Nações Unidas. O Vice-Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, António Indjai, alia-se a Bubu Na Tchuto e correm com o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, Zamora Induta, que fica, pouco depois, preso no quartel de Mansoa. O Primeiro Ministro Carlos Gomes Júnior é preso durante algumas horas ou nem tanto, e ameaçado de morte por António Indjai, caso a população saísse em massa à rua em seu apoio. O Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, elogia António Indjai pelo seu passado. É António Indjai nomeado Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas. E Bubu Na Tchuto, Chefe de Estado Maior da Armada.
E agora é o António Indjai que se protege e defende o Primeiro Ministro Carlos Gomes Júnior da investida de Bubu Na Tchuto???!!! Isto, poucos dias depois de ter ameaçado abandonar o "barco" e ir ficar em casa, caso a comunidade regional enviasse uma força de dissuasão.
Alguém entende isto???!!!
O estado do Palácio Presidencial, fruto da guerra de 7 de Junho


Casos e mais casos.
Quanto à responsabilização, vou ali e já venho. Promover é mais fácil e não comporta riscos.
O presente caso, CASO 26 DE DEZEMBRO, chame-mo-lo assim, reprova pela enésima vez a ideia (algo  naif, a meu ver; e proveitosa para os prevaricadores) de que os PROVISORIAMENTE poderosos guineenses são capazes de co-existirem pacificamente sem uma força regional ou internacional a monitorizá-los de perto.
O poder político, para lá do dever de dar o exemplo, portando-se como deve ser, tem de ter coragem (por exemplo, não nomear com base no medo) e capacidade de resolver o problema democraticamente quanto antes. Porque THE SHOW MUST END NOW. Já não é sem tempo. Não há desculpas (do tipo bu sibi...). Nada disso.

OBRIGADO, TIO SILVA

Tio Silva, ou melhor, professor Silva, era daqueles raríssimos home grandes de Mansoa com dom, arte e bondade de elevar o moral dos jovens.
Adorava a Escola, como se diz na Guiné, e os grandes alunos. Sempre que se cruzava com um, perguntava, invariavelmente, pelos outros (anta fulano, kuma ki sta? Fidju de fulano ta pega teso !) Falava sorrindo, entusiasmadíssimo.
Aquando do meu exame escrito final de 4ª classe fiz uma grande parvoíce: assinei, numas folhas Selo Djaló e noutras, Mamadu Selo Djaló. Os professores nem se deram ao trabalho de tirar tudo a limpo. Decidiram, pura e simplesmente, chumbar-me. Chorei baba e ranho. Nada. Os professores continuaram na sua, nas tintas para a minha dor. Só não repeti o ano porque o Tio Silva salvou-me na hora h.
Lembro-me do Tio Silva a falar português para o filho, ainda adolescente, Iaiu, e este, brincalhão como sempre, a responder em criolo. O mais incrível era o Tio Silva não se alterar e encarar a brincadeira  do filho com a maior das naturalidades.
Tio Silva era a simplicidade em pessoa. De resto, era muito simpático e afectuoso.
Falava balanta com os balantas, sobretudo, os da tabanca. Arranhava fula com os fulas...
O seu multiculturalismo e humanismo faziam dele um home grande interessante. Uma referência, um farol que a juventude acaba de perder.
Saudades eternas do professor, do amigo, Tio Silva.
Que descanse em paz!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

POBREZA GARANTIDA

« O dinheiro é como que um sexto sentido, sem o qual os outros cinco funcionam mal», Graham Greene, escritor britânico

O meu amigo professor Fernando Delfim da Silva, inspirado na vida de "ngenhero" dos guineenses e, provavelmente, na denominação portuguesa de Rendimento Mínimo Garantido, cunhou a feliz expressão "POBREZA GARANTIDA", que usa, quase que sempre, no programa de debate semanal na Rádio privada Bombolom, no qual participa na qualidade de um dos comentadores residentes sobre acontecimentos nacionais e internacionais.
Desnecessário se torna dizer que está coberto de razão o prof. Delfim da Silva. E do meu ponto de vista, faz muito bem em denunciar vezes sem conta a vida miserável do guineense; ainda que haja quem diga que ele também tem culpas no cartório por ter sido ministro do maior destruidor da Guiné-Bissau, o ex-Presidente Nino Vieira. Ao que parece, o prof. Delfim da Silva está cônscio dessas críticas e não tem deixado de fazer mea culpa.

Voltando ao que mais importa, diga-se que, em abono da verdade, sempre que se cruza com um guineense e se lhe pergunta, à laia de cumprimento, como está? A resposta é, quase invariavelmente, «ngenhando» (querendo com isso dizer, «estou a tentar sobreviver, a tentar manter-me à superfície») ou, em alternativa, poderá dizer «mais ou menos». E se insistir com ele, perguntando, "é mais para mais" ou "mais para menos". Ele vai responder, seguramente, "para menos".

"Mais para menos" porque está tudo por fazer; "mais para menos" porque mal se sente a presença do Estado em Bissau quanto mais no Interior; "mais para menos" porque o povo está teso, falido que nem uma criança e sem poder de compra; "mais para menos" porque os funcionários públicos ganham uma miséria, não têm onde encostar mortos, muitos menos condições de trabalho e, para mais, tendo de aturar chefes, por via de regra, corruptos, arrogantes e mal-comportados; "mais para menos" porque a competência, o esforço, o mérito não são reconhecidos; "mais para menos" porque a luzinha que se via ao fundo do túnel até há coisa de poucos meses era fraquinha de mais para acalentar alguma esperança no futuro; "mais para menos" porque os mais velhos ficam com tudo, condenando os jovens a uma menoridade sem fim (pois, nunca se é "grande", leia-se maduro, na Guiné, face aos mais velhos).

Para se ter uma ideia da pobreza guineense, refira-se que um assessor de ministro ganha, cerca de duzentos e tal euros apenas e só. É com esse montante, de todo irrisório, que terá de arcar com todas as despesas; desde casa, comida, transporte, luz eléctrica, água, saúde, escola dos filhos, saldo telefónico etc e tal. É caso para se perguntar: Como é possível viver-se apenas e só com duzentos e tal euros?! É simplesmente impossível. Que tipo de trabalho é esse?! Que Guiné é que estámos a construir?! Assim, não espanta nada que assessores que tenham a infelicidade de ter um ministro mau, egoísta, se vejam obrigados a apanhar "toca-toca" (transporte colectivo), ir de táxi (simplesmente incomportável), pedir boleia ou ir a pé, tendo de percorrer quilómetros sob um sol abrasador.
Uma irmã de um amigo meu, assegurou-me aqui há meses que o seu irmão mais velho, por sinal alto funcionário de um dos Ministérios mais importantes do país, mandou a mulher para Portugal a fim desta trabalhar para que o filho de ambos possa estudar. É, no mínimo, convenhamos, grave.

Uma Directora-Geral de um grande Ministério farta-se de lamentar das dificuldades financeiras por que passa e diz, vezes sem conta, « se não fosse o meu marido (que ganha bem), que seria de mim?!»
Como se compreende do exposto, os Directores-Gerais não ganham lá grande coisa. Auferem cerca de quatrocentos e tal euros. Têm um carro de serviço ao seu dispor; ainda que a esmagadora maioria se veja em apuros em matéria de arranjar combustível para o alimentar.

Os Ministros também não ganham bem, muito pelo contrário. O salário anda à volta de oitocentos euros. Só que, o espaço de manobra de um ministro é grande de mais, sobretudo, num país em que o "ministro é o Ministério"( isto é, sua propriedade. Já que não tem contas a prestar a ninguém). Além de carro, casa e outras regalias, o ministro sempre poderá contar com os dinheiros das viagens, com os fundos que vão entrando no Ministério para levar uma boa vida.
Daí não ter constituído novidade nenhuma a afirmação do Director-Geral do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), Dr. Mamudo Djau, proferida numa conferência realizada no Palace Hotel, de que «para se ter boa vida (na Função Pública Guineense) é preciso ser-se ministro».

Se assessores e directores-gerais passam mal, o que não passarão os outros, sobretudo, os chamados "pessoal menor".
Tal é a gravidade da situação. Como é que não se conspirará para se ser ministro, uma vez que é o único que pode "estar sabe"?! Como é que pode haver honestidade e estabilidade num país tão injusto como é a Guiné?!
Enganam-se aqueles que pensam que podem ficar com tudo e para sempre.

Oxalá que o ano 2012 seja diferente para melhor!
Boas Festas para todos e muita saúde!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"FURTARAM-ME A PASTA"



À vontade estava perdido nos meus devaneios. A estação de Alverca tinha poucas vivalmas.
De repente, procuro tactear a pasta que deixara ao lado. Para minha surpresa, não havia pasta. Levanto-me num salto. Nada. Não quero acreditar. Apalpo os bolsos. Nada. Passe, documentos, telemóveis... Estava tudo na pasta. Que azar! Entro em pânico. Puxo pela memória a ver se descubro o ladrão.
Cenário número 1: vejo a brigada de revisores (picas) a apanhar o comboio e eu estou a sós, longe de tudo e de todos;
Cenário número 2: vejo três senhoras, acabadinhas de sair do comboio, a passar por mim.
Só podem ser essas. Eureca!
Mas, pensando bem, não estou a ver senhoras a furtarem-me a pasta. Pois, roubar, digo para os meus botões, não é propriamente coisa de mulheres. Desisto da ideia.
Terá passado por mim algum fantasma, algum jovem e surripiado o objecto?!
De cabeça meio perdida, digo para uma senhora que se encontrava na plataforma bem longe de mim:
- Furtaram-me a pasta.
A senhora ficou sem palavras.
Resolvo avançar para as bilheteiras apresentar queixa. Cruzo com dois jovens a descerem a escada rolante e dirijo-me para o que estava à frente e digo-lhe que me levaram a pasta e que andava à procura do larápio. Antes de me dizer palavra, retrocedo para o lugar do crime. Estava um deserto. Reparei que havia uma tampa sobre o banco de cimento. Instintivamente, calco uma das extremidades; e não é que vejo, na extremidade oposta, a minha rica pasta. Que sorte! Não queria acreditar.
O moço a quem havido dirigido a palavra disse-me que ia precisamente sugerir-me para que procurasse aí mesmo, no lixo.
Que sorte! Afinal, a pasta sempre esteve comigo. Já não a larguei mais. Não ganhei para o susto.