« O dinheiro é como que um sexto sentido, sem o qual os outros cinco funcionam mal», Graham Greene, escritor britânico
O meu amigo professor Fernando Delfim da Silva, inspirado na vida de "ngenhero" dos guineenses e, provavelmente, na denominação portuguesa de Rendimento Mínimo Garantido, cunhou a feliz expressão "POBREZA GARANTIDA", que usa, quase que sempre, no programa de debate semanal na Rádio privada Bombolom, no qual participa na qualidade de um dos comentadores residentes sobre acontecimentos nacionais e internacionais.
Desnecessário se torna dizer que está coberto de razão o prof. Delfim da Silva. E do meu ponto de vista, faz muito bem em denunciar vezes sem conta a vida miserável do guineense; ainda que haja quem diga que ele também tem culpas no cartório por ter sido ministro do maior destruidor da Guiné-Bissau, o ex-Presidente Nino Vieira. Ao que parece, o prof. Delfim da Silva está cônscio dessas críticas e não tem deixado de fazer mea culpa.
Voltando ao que mais importa, diga-se que, em abono da verdade, sempre que se cruza com um guineense e se lhe pergunta, à laia de cumprimento, como está? A resposta é, quase invariavelmente, «ngenhando» (querendo com isso dizer, «estou a tentar sobreviver, a tentar manter-me à superfície») ou, em alternativa, poderá dizer «mais ou menos». E se insistir com ele, perguntando, "é mais para mais" ou "mais para menos". Ele vai responder, seguramente, "para menos".
"Mais para menos" porque está tudo por fazer; "mais para menos" porque mal se sente a presença do Estado em Bissau quanto mais no Interior; "mais para menos" porque o povo está teso, falido que nem uma criança e sem poder de compra; "mais para menos" porque os funcionários públicos ganham uma miséria, não têm onde encostar mortos, muitos menos condições de trabalho e, para mais, tendo de aturar chefes, por via de regra, corruptos, arrogantes e mal-comportados; "mais para menos" porque a competência, o esforço, o mérito não são reconhecidos; "mais para menos" porque a luzinha que se via ao fundo do túnel até há coisa de poucos meses era fraquinha de mais para acalentar alguma esperança no futuro; "mais para menos" porque os mais velhos ficam com tudo, condenando os jovens a uma menoridade sem fim (pois, nunca se é "grande", leia-se maduro, na Guiné, face aos mais velhos).
Para se ter uma ideia da pobreza guineense, refira-se que um assessor de ministro ganha, cerca de duzentos e tal euros apenas e só. É com esse montante, de todo irrisório, que terá de arcar com todas as despesas; desde casa, comida, transporte, luz eléctrica, água, saúde, escola dos filhos, saldo telefónico etc e tal. É caso para se perguntar: Como é possível viver-se apenas e só com duzentos e tal euros?! É simplesmente impossível. Que tipo de trabalho é esse?! Que Guiné é que estámos a construir?! Assim, não espanta nada que assessores que tenham a infelicidade de ter um ministro mau, egoísta, se vejam obrigados a apanhar "toca-toca" (transporte colectivo), ir de táxi (simplesmente incomportável), pedir boleia ou ir a pé, tendo de percorrer quilómetros sob um sol abrasador.
Uma irmã de um amigo meu, assegurou-me aqui há meses que o seu irmão mais velho, por sinal alto funcionário de um dos Ministérios mais importantes do país, mandou a mulher para Portugal a fim desta trabalhar para que o filho de ambos possa estudar. É, no mínimo, convenhamos, grave.
Uma Directora-Geral de um grande Ministério farta-se de lamentar das dificuldades financeiras por que passa e diz, vezes sem conta, « se não fosse o meu marido (que ganha bem), que seria de mim?!»
Como se compreende do exposto, os Directores-Gerais não ganham lá grande coisa. Auferem cerca de quatrocentos e tal euros. Têm um carro de serviço ao seu dispor; ainda que a esmagadora maioria se veja em apuros em matéria de arranjar combustível para o alimentar.
Os Ministros também não ganham bem, muito pelo contrário. O salário anda à volta de oitocentos euros. Só que, o espaço de manobra de um ministro é grande de mais, sobretudo, num país em que o "ministro é o Ministério"( isto é, sua propriedade. Já que não tem contas a prestar a ninguém). Além de carro, casa e outras regalias, o ministro sempre poderá contar com os dinheiros das viagens, com os fundos que vão entrando no Ministério para levar uma boa vida.
Daí não ter constituído novidade nenhuma a afirmação do Director-Geral do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), Dr. Mamudo Djau, proferida numa conferência realizada no Palace Hotel, de que «para se ter boa vida (na Função Pública Guineense) é preciso ser-se ministro».
Se assessores e directores-gerais passam mal, o que não passarão os outros, sobretudo, os chamados "pessoal menor".
Tal é a gravidade da situação. Como é que não se conspirará para se ser ministro, uma vez que é o único que pode "estar sabe"?! Como é que pode haver honestidade e estabilidade num país tão injusto como é a Guiné?!
Enganam-se aqueles que pensam que podem ficar com tudo e para sempre.
Oxalá que o ano 2012 seja diferente para melhor!
Boas Festas para todos e muita saúde!
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
"FURTARAM-ME A PASTA"
De repente, procuro tactear a pasta que deixara ao lado. Para minha surpresa, não havia pasta. Levanto-me num salto. Nada. Não quero acreditar. Apalpo os bolsos. Nada. Passe, documentos, telemóveis... Estava tudo na pasta. Que azar! Entro em pânico. Puxo pela memória a ver se descubro o ladrão.
Cenário número 1: vejo a brigada de revisores (picas) a apanhar o comboio e eu estou a sós, longe de tudo e de todos;
Cenário número 2: vejo três senhoras, acabadinhas de sair do comboio, a passar por mim.
Só podem ser essas. Eureca!
Mas, pensando bem, não estou a ver senhoras a furtarem-me a pasta. Pois, roubar, digo para os meus botões, não é propriamente coisa de mulheres. Desisto da ideia.
Terá passado por mim algum fantasma, algum jovem e surripiado o objecto?!
De cabeça meio perdida, digo para uma senhora que se encontrava na plataforma bem longe de mim:
- Furtaram-me a pasta.
A senhora ficou sem palavras.
Resolvo avançar para as bilheteiras apresentar queixa. Cruzo com dois jovens a descerem a escada rolante e dirijo-me para o que estava à frente e digo-lhe que me levaram a pasta e que andava à procura do larápio. Antes de me dizer palavra, retrocedo para o lugar do crime. Estava um deserto. Reparei que havia uma tampa sobre o banco de cimento. Instintivamente, calco uma das extremidades; e não é que vejo, na extremidade oposta, a minha rica pasta. Que sorte! Não queria acreditar.
O moço a quem havido dirigido a palavra disse-me que ia precisamente sugerir-me para que procurasse aí mesmo, no lixo.
Que sorte! Afinal, a pasta sempre esteve comigo. Já não a larguei mais. Não ganhei para o susto.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
QUE VENHAM DAÍ AS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS
O Governo de Carlos Gomes Júnior projecta no Orçamento Geral de Estado do próximo ano a realização de eleições Legislativas e Autárquicas.
Se as primeiras não constituem novidade nenhuma no fluir da vida democrática guineense, o mesmo não se poderá dizer das eleições locais, que se poderão afigurar como um verdadeiro arranque para o chamado Interior do País. Até aqui o partido (ou partidos coligados) no poder tem enviado para as cidades e vilas do país os seus boys, 99,9% dos quais impreparados para administrar a coisa pública. Também para que precisariam de competência, de saber fazer, de saber ser, se não têm de prestar contas nem a si, nem ao poder central de Bissau, quanto mais ao pobre povo.
O resultado desse crime está à vista de todos: o "Interior" não passa de um fantasma, de um cadáver em pé. Veja-se a "praça" de Bafatá (dantes o coração nobre e reluzente da cidade); a "praça" de Farim (cujo jardim, agora altamente degradado, à beira rio plantado, faz lembrar um pouco Coimbra e o seu jardim, pelo contrário, bem tratado, junto ao rio Mondego); a "praça" de Mansoa, quase desabitada e a cair de podre; de Bolama nem vale a pena falar.De resto,diga-se de passagem, só a cidade de Gabu escapa à essa desolação geral, graças ao forte dinamismo da sua gente e dos imigrantes conacry guineenses.
Bem vistas as coisas, não supreende por aí além que o Interior esteja no estado calamitoso em que se encontra, se a própria cidade capital Bissau é um verdadeiro caos: com as suas estradas, na sua maioria, em muito mau estado; armazéns que nascem da noite para o dia como cogumelos e complicam, e de que maneira, o trânsito; a grande porcaria a céu aberto que é o mercado de Bandim;vendedores ambulantes que parecem possuir o dom da ubiquidade e têm entrada livre em tudo quanto é sítio (certa vez, na pediatria do Hospital Nacional Simão Mendes, vi um médio mandar prender dois jovens que andavam por aí a vender panos e vestuário. Depois de um nunca mais acabar de "dicha, dicha" de duas colegas, lá acabou por perduá-los); toca-tocas, transporte colectivo que era suposto transportar pessoas, levam, literalmente, tudo e todos, muitos deles com ajudantes sujos, mal-vestidos e mal-cheirosos, isto, ante a indiferença de passageiros e autoridades.
Há que mudar de vida, passando do mais que gasto caos ao cosmos.E todo esse cenário degradante pode mudar para melhor com as eleições autárquicas. E mais, ao partido que perdesse as legislativas subsistiria uma réstia de esperança de chegar ao poder através das autárquicas, contribuindo assim para o minorar da tensão que o país tem experimentado por causa do "curo", do "tacho", como se diz na tuga.
De facto, uma das grandes causas do subdesenvolvimento da Guiné-Bissau tem que ver com a excessiva centralidade do poder em Bissau. E os boys do partido que são despachados para o Interior (contemplados com o cargo ou porque deram tudo o que tinham e não tinham durante as Legislativas ou porque "têm costa largo", isto é, familiares ou amigos dos todo-poderosos do partido)têm pouco ou nenhum poder e passam a vida a fazer "nenhum", como ficou dito.
Como é de ciência certa, havendo eleições autárquicas, os governadores (no caso,autarcas) ganham poder real e vêem-se forçados a trabalhar sob pena de não renovarem o mandato. E cereja sobre o bolo, as populações passam a ter uma palavra a dizer quanto ao destino.Assim, que venham as eleições Autárquias. E que Deus, Alá, abençoe a Guiné-Bissau!
Se as primeiras não constituem novidade nenhuma no fluir da vida democrática guineense, o mesmo não se poderá dizer das eleições locais, que se poderão afigurar como um verdadeiro arranque para o chamado Interior do País. Até aqui o partido (ou partidos coligados) no poder tem enviado para as cidades e vilas do país os seus boys, 99,9% dos quais impreparados para administrar a coisa pública. Também para que precisariam de competência, de saber fazer, de saber ser, se não têm de prestar contas nem a si, nem ao poder central de Bissau, quanto mais ao pobre povo.
O resultado desse crime está à vista de todos: o "Interior" não passa de um fantasma, de um cadáver em pé. Veja-se a "praça" de Bafatá (dantes o coração nobre e reluzente da cidade); a "praça" de Farim (cujo jardim, agora altamente degradado, à beira rio plantado, faz lembrar um pouco Coimbra e o seu jardim, pelo contrário, bem tratado, junto ao rio Mondego); a "praça" de Mansoa, quase desabitada e a cair de podre; de Bolama nem vale a pena falar.De resto,diga-se de passagem, só a cidade de Gabu escapa à essa desolação geral, graças ao forte dinamismo da sua gente e dos imigrantes conacry guineenses.
Bem vistas as coisas, não supreende por aí além que o Interior esteja no estado calamitoso em que se encontra, se a própria cidade capital Bissau é um verdadeiro caos: com as suas estradas, na sua maioria, em muito mau estado; armazéns que nascem da noite para o dia como cogumelos e complicam, e de que maneira, o trânsito; a grande porcaria a céu aberto que é o mercado de Bandim;vendedores ambulantes que parecem possuir o dom da ubiquidade e têm entrada livre em tudo quanto é sítio (certa vez, na pediatria do Hospital Nacional Simão Mendes, vi um médio mandar prender dois jovens que andavam por aí a vender panos e vestuário. Depois de um nunca mais acabar de "dicha, dicha" de duas colegas, lá acabou por perduá-los); toca-tocas, transporte colectivo que era suposto transportar pessoas, levam, literalmente, tudo e todos, muitos deles com ajudantes sujos, mal-vestidos e mal-cheirosos, isto, ante a indiferença de passageiros e autoridades.
Há que mudar de vida, passando do mais que gasto caos ao cosmos.E todo esse cenário degradante pode mudar para melhor com as eleições autárquicas. E mais, ao partido que perdesse as legislativas subsistiria uma réstia de esperança de chegar ao poder através das autárquicas, contribuindo assim para o minorar da tensão que o país tem experimentado por causa do "curo", do "tacho", como se diz na tuga.
De facto, uma das grandes causas do subdesenvolvimento da Guiné-Bissau tem que ver com a excessiva centralidade do poder em Bissau. E os boys do partido que são despachados para o Interior (contemplados com o cargo ou porque deram tudo o que tinham e não tinham durante as Legislativas ou porque "têm costa largo", isto é, familiares ou amigos dos todo-poderosos do partido)têm pouco ou nenhum poder e passam a vida a fazer "nenhum", como ficou dito.
Como é de ciência certa, havendo eleições autárquicas, os governadores (no caso,autarcas) ganham poder real e vêem-se forçados a trabalhar sob pena de não renovarem o mandato. E cereja sobre o bolo, as populações passam a ter uma palavra a dizer quanto ao destino.Assim, que venham as eleições Autárquias. E que Deus, Alá, abençoe a Guiné-Bissau!
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
JÁ NÃO HÁ HOMENS
No meu tempo de Mansoa brigar era o pão nosso de cada dia. Era, por assim dizer, o nosso desporto favorito. Andar aos murros era sinónimo de "matchundade", um verdadeiro rito de passagem para a idade adulta. Todos os machos dignos desse nome eram obrigados a lutar para se afirmarem socialmente. Praticava-se o jogo limpo. A luta não passava de "luto lambo bu bate" ( a agora denominada luta livre), com socos e pontapés à mistura. Não se podia fazer recurso aos dentes. Seria batota pura e dura; o que desenhonraria o infractor e o deixaria mal visto aos olhos dos espectadores. Pois, morder não era coisa de homens, considerava-se. Consequentemente, estava-se à vontade. Podia-se lutar à vontade dias a fio sem consequências de maior. Ninguém morria por lutar. Aliás, só se morria no engraçado jogo de "lambo bu bate" se os feiticeiros metessem lá a sua colherada; o que raramente acontecia. Era toma lá um soco e dá cá outro. Agarra-me, que eu te agarro. Vamos lá a ver quem é o mais forte, o mais inteligente, o mais resistente. Era divertido o jogo. Um jogo praticado por homens corajosos sem maldade, por homens às direitas.
Hoje, já não é mais assim. Todo o mundo se acobardou; pior, virou assassino. A "defesa" é que está a dar (o que equivale a dizer, faca, lâmina, garrafa, até pistola e tudo). Ai de quem não tenha uma nos tempos que correm. Com efeito, já não se brinca, lutando. Agora lutar é um jogo de vida ou morte. Perdeu piada a coisa.
Noutro dia estava eu na Chapa de Bissau junto à Photo Arco Íris à espera de tocatoca (transporte colectivo urbano). Um dos ajudantes de um dos tocatocas acabadinhos de aí estacionar para apanhar passageiros desatou a discutir com um moço que se encontrava na paragem. O moço aparentava uma confiança de super-homem e era todo sorrisos nervosos: « chega só aqui, que eu dou cabo de ti num abrir e fechar de olhos», desafiou o ajundante. Este, não menos confiante, pelo menos assim me pareceu, fazia prever com o seu argumentário uma luta de touros. Mal avançou na direcção do seu oponente, este, para meu espanto, voou célere que nem um louco à caça de uma garrafa. Que cobardolas, disse, com desprezo, para os meus botões. Que jogasse limpo, como no meu tempo de Mansoa, e logo se veria quem era o mais forte, o mais inteligente, o mais resistente.
Assim vão os estímulos e reacções na minha terra. Razão tinha Dale Carnegie, autor norte- americano de livros de auto-ajuda, que aconselhava a "NÃO DISCUTIR" (no seu caso, por outras razões. Do seu ponto de vista, não adianta discutir porque o ser humano é Ilógico e Contraditório). E na nossa Guiné, por razões óbvias, há que evitar o mais possível, não vá o diabo tecê-las. Os Homens de verdade lutam desarmados.
Hoje, já não é mais assim. Todo o mundo se acobardou; pior, virou assassino. A "defesa" é que está a dar (o que equivale a dizer, faca, lâmina, garrafa, até pistola e tudo). Ai de quem não tenha uma nos tempos que correm. Com efeito, já não se brinca, lutando. Agora lutar é um jogo de vida ou morte. Perdeu piada a coisa.
Noutro dia estava eu na Chapa de Bissau junto à Photo Arco Íris à espera de tocatoca (transporte colectivo urbano). Um dos ajudantes de um dos tocatocas acabadinhos de aí estacionar para apanhar passageiros desatou a discutir com um moço que se encontrava na paragem. O moço aparentava uma confiança de super-homem e era todo sorrisos nervosos: « chega só aqui, que eu dou cabo de ti num abrir e fechar de olhos», desafiou o ajundante. Este, não menos confiante, pelo menos assim me pareceu, fazia prever com o seu argumentário uma luta de touros. Mal avançou na direcção do seu oponente, este, para meu espanto, voou célere que nem um louco à caça de uma garrafa. Que cobardolas, disse, com desprezo, para os meus botões. Que jogasse limpo, como no meu tempo de Mansoa, e logo se veria quem era o mais forte, o mais inteligente, o mais resistente.
Assim vão os estímulos e reacções na minha terra. Razão tinha Dale Carnegie, autor norte- americano de livros de auto-ajuda, que aconselhava a "NÃO DISCUTIR" (no seu caso, por outras razões. Do seu ponto de vista, não adianta discutir porque o ser humano é Ilógico e Contraditório). E na nossa Guiné, por razões óbvias, há que evitar o mais possível, não vá o diabo tecê-las. Os Homens de verdade lutam desarmados.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
BUNGA BUNGA
Roupas arrancadas à pressa
à força da paixão
espraiam-se pela casa
pairam no céu do tecto quais núvens
ganham vida
pássaros de bom agouro feitos
esvoaçam
sobrevoam o quarto
refrescando que nem ventoinhas os corpos suados a potos
tremor de cama
vítimas sem necessidade de socorro
benditas réplicas bunga
opostos unidos
boca na boca
saliva saliva
línguas em diálogo
banana maça
gelado pote de mel
ganha ganha
bunga bunga
Lx, 13/11/2011
à força da paixão
espraiam-se pela casa
pairam no céu do tecto quais núvens
ganham vida
pássaros de bom agouro feitos
esvoaçam
sobrevoam o quarto
refrescando que nem ventoinhas os corpos suados a potos
tremor de cama
vítimas sem necessidade de socorro
benditas réplicas bunga
opostos unidos
boca na boca
saliva saliva
línguas em diálogo
banana maça
gelado pote de mel
ganha ganha
bunga bunga
Lx, 13/11/2011
CÁ ENTRE NÓS
Rostos sem rosto
Feitos flores
Espinhos à janela emoldurados
Os outros mirados nas tintas
Indiferença
Oh santa indiferença
Ninguém é ninguém
O corre corre
O trabalho escravizante sem esperança
A crise do povo
Glória dos "artistas"
Corta-se-lhe o cabelo
Arranca-se-lhe uma orelha
As duas pernas já agora
Desdentam-no
Tudo para o seu próprio bem
Para o bem do povo
Rostos sem rosto
Corações de feiticeiro
Semeiam crises
Pregam pensamento único de que não há alternativa
Colhem os frutos.
Feitos flores
Espinhos à janela emoldurados
Os outros mirados nas tintas
Indiferença
Oh santa indiferença
Ninguém é ninguém
O corre corre
O trabalho escravizante sem esperança
A crise do povo
Glória dos "artistas"
Corta-se-lhe o cabelo
Arranca-se-lhe uma orelha
As duas pernas já agora
Desdentam-no
Tudo para o seu próprio bem
Para o bem do povo
Rostos sem rosto
Corações de feiticeiro
Semeiam crises
Pregam pensamento único de que não há alternativa
Colhem os frutos.
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